
Ontem o amigo @emerluis do blog Nas Retinas falou de forma franca sobre o site da Dilma Na Web e as propostas deste espaço através do POST “Quando a Oportunidade vai pelo ralo” .
Hoje cedo após franca análise do site, comentei o post dando os meus Pitacos. Os pitacos agora se tornam um novo post , em um outro site, os pitacos propõe a discussão aberta e um alerta, mas creio que a principal mensagem que desejo passar é que ainda há tempo de mudar.
O post do @emerluis foi excelente e direto ao ponto, principalmente no que toca a linha editorial do site. Na minha opinião a linha editorial aponta de forma clara para um modelo de site institucional, bem diferente de um blog, tal como se apresenta o Dilma Na Web.
Tomarei aqui a liberdade de pontuar mais algumas questões, mas antes preciso afirmar – da mesma forma que o @emerluis – que o meu voto é para a continuidade deste governo e dos trabalhos em curso. Apesar disto, sinto que preciso contribuir com críticas e sugestões construtivas, afinal é hora de alinhar as ideias e equipes para a largada da campanha, não é prudente prosseguir da forma como está, e nada como o meu blog para expressar a minha opinião pessoal neste assunto.
Abaixo pontuo questões importantes que merecem avaliação cuidadosa.
1. O uso das Redes Sociais
O site tem atalhos para o internauta chegar até as redes sociais e acessar o perfil da pré-candidata, percebo que a atualização está sendo constante, porém a linguagem utilizada ainda está longe do que se espera em uma rede social. São comentários formais, as vezes frios, notinhas, notícias, eventos, agradecimentos, mas falta VIDA nestes tweets, mais fotos, mais humor, mais temperamento, mais emoção, é para ser pessoal e não profissional e frio.
Estes são mecanismos importantes que não podem ser desperdiçados desta forma, o que passa para o eleitor – no meu caso – é que a pessoa que usa do lado de lá, o faz por obrigação e não por prazer de interagir com seus eleitores e com a sociedade, além disto, parece que cada tweet é cuidadosamente revisado para não ter muita carga “emocional” ou “pessoal”, quando deveria ter esta carga, pois a proposta das redes sociais é mostrar quem você realmente é.
Veja a forma com que os outros pré-candidatos e pré-candidatas interagem, é tudo muito mais leve, descontraído, eles cometem gafes, erros, as vezes o temperamento lhes acomete, como a todos nós, são seres humanos e não robôs.
2. Interagindo
Como eu faço para interagir com a DILMA e equipe no site?
Eu sinceramente não quero acreditar que alguém que desenha um site em 2010 acredita que vamos utilizar o link “contato” para interagir com a pré-candidata e com a pré-campanha.
E ainda tenho outras perguntas, ainda sem respostas, são elas:
a) Se eu desejo enviar perguntas para a Dilma, como faço ?
b) Se eu desejo enviar perguntas para a Equipe, como faço ?
c) Se eu desejo interagir com outros possíveis eleitores, debatendo, discutindo, interagindo, como faço?
d) Se eu desejo interagir com eleitores do meu estado, da minha cidade, do meu bairro, como faço ?
e) Se desejo discutir e criticar as propostas e plataforma de campanha, como faço?
Observe que a falta de ferramentas adequadas no site impedem que ele cresça de forma dinâmica, ele só vai crescer se nos deixarem entrar, ele só vai crescer com ajuda dos usuários.
Na minha opinião este site deveria ser um grande polo de discussão, um espaço interativo, um ponto seguro de referências para responder questionamentos, um porto seguro para quem atua e oferece apoio à esta candidatura.
Infelizmente constato que a tecnologia da forma como foi concebida não permite estabelecer uma comunidade, um coletivo em sua volta.
3. Escondendo do público o público
O link “Conte a sua história” é uma ideia excelente, porém seria ainda melhor se o usuário pudesse visualizar os depoimentos enviados, desta forma teríamos a chance de conhecer emocionantes depoimentos de Brasileiros de todos os cantos deste país.
Ao invés de divulgar ricos depoimentos, estes são arquivados – ao que parece – em uma base dados para análise futura, mais uma oportunidade perdida.
4. Portal + Espaço Institucional + Blog + Web 2.0 ?
Antes de mais nada, tecnologicamente falando, o site aparenta ter uma construção sólida, digo isto olhando de forma superficial, ele é rápido e relativamente seguro, porém vamos discutir aspectos conceituais que fogem da técnica de programação, infraestrutura e segurança.
4.1 Portal
Vamos combinar que isso deixou de existir nos anos 90, chamar algo de portal hoje com a web 2.0 é ser nostálgico e gostar tanto dos anos 90 a ponto de insistir em desenhar sites como os daquela década, todo o cuidado é pouco, os portais pecavam por oferecer um quantidade absurda de conteúdo sem qualidade, controle e organização, era a famosa colcha-de-retalhos.
4.2 Site Institucional
Este tipo de site normalmente se define por informações estáticas e pouca interatividade com o usuário. Ele prima por ser simples, objetivo e vai direto ao ponto, muitas vezes inclusive frustando o visitante.
4.3 Blog
Hoje é comum chamarem algo na web de blog, apesar de muitas destas coisas por ai não serem BLOGs, para tirar a dúvida, vamos à definição na Wikipedia.PT.
“Um blog (contração do termo “Web log”), também chamado de blogue em Portugal, é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou “posts”. Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do blog, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog.
Muitos blogs fornecem comentários ou notícias sobre um assunto em particular; outros funcionam mais como diários online. Um blog típico combina texto, imagens e links para outros blogs, páginas da web e mídias relacionadas a seu tema. A capacidade de leitores deixarem comentários de forma a interagir com o autor e outros leitores é uma parte importante de muitos blogs.”
4.4 Web 2.0
Afinal, o que é essa tal de web 2.0 que tanto falam?
Vamos pedir ajuda à wikipedia.
“Web 2.0 é um termo criado em 2004 pela empresa estadunidense O’Reilly Media[1] para designar uma segunda geração de comunidades e serviços, tendo como conceito a “Web como plataforma”, envolvendo wikis, aplicativos baseados em folksonomia, redes sociais e Tecnologia da Informação. Embora o termo tenha uma conotação de uma nova versão para a Web, ele não se refere à atualização nas suas especificações técnicas, mas a uma mudança na forma como ela é encarada por usuários e desenvolvedores, ou seja, o ambiente de interação que hoje engloba inúmeras linguagens e motivações.”
“Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva”
Analisando estes conceitos podemos dizer que o site dilmanaweb pode ser um mix de muitas coisas, mas um blog puro e simples não é. Agora vamos entender o porquê.
a) É um site institucional?
Não completamente, mas ele tem estas características, principalmente quando se trata de informação estática, pouca iteratividade com os usuários e os frios formulários de mão única – só vai e não volta – dão o tom em boa parte do site.
b) É um portal?
Tem um desenho que lembra os portais dos anos 90, um vício difícil de perder, admito, porém não é um portal :)
c) É um blog?
A experiência de quase 10 anos blogando me diz que este site não é um BLOG propriamente dito.
Se ali houvesse um canal “BLOG” dentro do site DilmaNaWeb, seguindo minimamente o que a Wikipedia esclarece, seria então um site pessoal da DILMA com um blog embutido.
Aliás, se assim fosse, acredito que os comentários em POSTS seriam muito mais expressivos.
d) E afinal, temos web 2.0 neste site?
Em alguns aspectos, sim, em outros talvez, vamos os aspectos:
- O Site aponta para várias redes sociais.
- O Site usa recursos das redes sociais para embutir imagens e vídeos por lá.
Mas existem problemas, vamos a eles:
- O site não interage com os internautas a ponto de estimular o retorno
- O site não gera inteligência e informação para dentro do site
- O site não gera discussão e não oferece palco para o usuário discutir
- O site não aproveita as pessoas, ele apenas as direciona para outros sites
- O site usa as ferramentas da rede, mas não aproveita o coletivo da rede
Admito que é muito difícil utilizar características ditas de web 2.0 em propostas e absorve-las em projetos, é mais fácil conectar ou integrar o seu site as redes sociais existentes – algo que já é considerado web 2.0 – do que entender e aplicar o conceito em seu projeto.
O site precisa de mais atenção porém a equipe está no caminho certo.
5. Reconhecendo e recomendando os amigos
Toda a boa campanha web, independente do contexto, conta com uma rede de reconhecimento e fidelidade de usuários ligados por um interesse em comum, a tática funciona partindo da premissa de que um blog apoia o outro, um blog divulga o outro e todos crescem juntos para alcançar um objetivo.
Observe que nós temos mais de uma centena de blogs e sites amigos que apoiam a pré-candidatura da Dilma, mas não existe um mapeamento e nenhum ação para utilizar a força destes blogs, que sozinhos são um sopro, mas juntos são um Furação.
Um exemplo simples de interatividade e reconhecimento é a campanha de páginas amigas do FISL (Fórum Internacional de Software Livre). A equipe da ASL (Associação Software Livre) convoca as páginas amigas do evento a divulgarem o FISL, em troca elas são mencionadas no site principal como APOIADORES do evento, um reconhecimento merecido. Esta ação ajudou o FISL a superar a marca de 10 mil inscritos.
Agora imaginem isto em outro contexto, uma ação simples, porém eficaz.
6. Modelo Errado gera Pouco interesse
Devo comentar notícias de um clipping ou avisos de uma agenda?
Não faz muito sentido comentar um clipping, tão pouco a agenda, em raras exceções achamos comentários neste site, o que é muito estranho.
Se formos avaliar os blogs do Azenha, MariaFro, Nassif, veremos um grande fluxo de comentários, veremos pessoas discutindo, interagindo o tempo todo, sem parar.
Qual a diferença, qual o segredo destes blogs?
A diferença é que eles não fazem clipping de notícias, eles funcionam como um blog – de fato, estes espaços promovem a discussão de temas polêmicos e de interesse da sociedade, e além disto, os blogs permitem que o usuário expresse sua opinião livremente, uma fórmula simples e eficaz para o usuário participar e voltar aos sites sempre que quiser externar suas ideias.
7. Afinal o que eu QUERO e o que eu NÃO QUERO com este site?
Eu quero conhecer a pré-candidata!
Eu quero confiar na pré-candidata!
Eu quero estabelecer uma relação com a pré-candidata.
Eu quero esclarecer todos os mitos que criam da pré-candidata, quero ouvi-la falar e se defender.
Eu NÃO quero ver clipping de notícias ou notícias de sua agenda, isso eu encontro em qualquer site.
Eu NÃO quero ver um resumo biográfico através de um infográfico da Dilma, eu quero VOTAR nela e não contratá-la, votar é uma relação de confiança muito maior, muito mais profunda.
Eu quero MAIS, eu quero interagir, eu quero usar a plataforma WEB 2.0 para me comunicar, e quero fazer parte de um COLETIVO, de uma COMUNIDADE.
Eu JÁ conheço o trabalho da DILMA, e sei que o seu profissionalismo é inquestionável, ela esteve no governo nos últimos anos, um bom governo, sei de sua competência, o que eu PRECISO é conhecê-la um pouco mais, assim posso confiar a esta pessoa mais 4 anos de trabalho por este país.
É muito difícil conquistar o eleitorado de alguém que é PURO coração, de alguém que se entrega ao seu povo, de alguém que é e age como o SEU POVO, principalmente se o que você tem a oferecer em contraponto para continuar é a Razão, a Biografia e o Currículo.
Se não encurtarmos esta distância entre a pré-candidata, vai ser cada vez mais difícil entrar nos corações de quem ainda precisa se contagiar pela continuidade deste trabalho.
É isto, espero ter expressado o que vi, vejo, sinto e desejo como eleitor e cidadão do Brasil.
Guto