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Para te falar de minha experiência com essa estação WIFI da Apple, preciso primeiro te contar a verdadeira Odisséia em que vivi com roteadores sem fio nestes últimos anos, assim você poderá compreender o caminho percorrido até este equipamento.

Abaixo a lista de roteadores WIFI que já utilizei em minha vida:

  • 3COM OfficeConnect Cable/DSL Router
  • 3COm ‘Travel Router’ (viajava comigo na mochila).
  • Linksys WRT54G
  • DLINK DL Series
  • 3COM 3CRWER101U-75
  • AQUARIO APR-2426
  • CISCO/Linksys WIFI ROUTER – WAG120N

Minha história com dispositivos WIFI

A maioria dos roteadores me atendeu satisfatóriamente, porém, após 18 meses de uso intenso em média, algumas instabilidades começavam à acometer os equipamentos me forçando a aposentá-los.

Os roteadores da 3COM atuaram de forma fabulosa durante muitos anos em meu escritório, o OfficeConnect eu aposentei após cerca de 2 anos e o Travel Router eu dei de presente para o Sr @lupatini.

O roteador Linksys WRT54G também foi um guerreiro que me acompanhou em muitas viagens pelo Brasil, sua única vulnerabilidade são as frágeis antenas. Um ponto forte deste roteador era a possibilidade de usar de firmwares alternativos como o DDWRT que aumentava consideravelmente seus recursos em software, melhorando muito seu desempenho e flexibilidade.

O DLINK usei por falta de opção após ter quebrado uma das antenas do WRT54G, porém, nosso namoro não durou muito pois ele não aguentava a demanda exigida. Eu comprei o DLINK por ser barato, mas não valeu a pena, é um equipamento com qualidade inferior.

Após o caso DLINK, apostei novamente no fabricante 3COM, optei pelo modelo 3CRWER101U-75 pois eu buscava algo mais moderno e portátil. Este modelo era interessante pois eu podia ligar uma antena externa de até 5dbm para melhorar a cobertura de sinal em meu apartamento. Após cerca de 2 anos de uso intenso com 3 dispositivos conectados 24×7, ele começou a travar com muitas conexões simultâneas. Estes problemas me forçaram a aposentar o equipamento.  Apesar disto, o equipamento ainda é comercializado e o review que fiz deste roteador aqui no blog até hoje é um dos posts mais comentados e polêmicos, há quem ame e quem odeie o pequeno roteador.

Precisando de um roteador novo, aproveitei uma viagem para São Paulo em 2010 e dei um pulo na Santa Efigênia, lá acabei conhecendo o roteador AQUÁRIO APR-2426, tecnologia nacional. A empresa AQUÁRIO é conhecida pela fabricação de antenas e equipamentos de rádio comunicação, recentemente começou a atuar no segmento roteadores wireless. Quando comecei a ler os specs do roteador, o que deixou surpreso foi sua potência de 400 miliwatts, isto me permitia utilizar antenas de até 24 dBm conectadas ao equipamento. Na ocasião eu comprei uma antena AQUÁRIO de 12dmb e um pigtail de 10 metros para usá-lo no evento em que eu estava participando. Um pessoal que estava comigo aproveitou e comprou outros 3 equipamentos, com isto pudemos testar o recurso WDS no evento, este recursos permite conectar os roteadores entre si, estendendo o alcance da rede, desta forma apenas um dos roteadores precisa estar conectado a internet via interface WAN.

Eu ainda tenho esse roteador, mas infelizmente ele foi descontinuado pela fabricante e o firmware não tem mais atualizações. Outro aspecto muito interessante é que o roteador roda linux embarcado, portanto, podemos até fazer regras de iptables nele, foi sem dúvida um dos roteadores mais versáteis que eu tive. Infelizmente ele funciona bem para o uso pessoal, compartilhando a conexão de internet com eficiência nos protocolos mais comuns como http/https/ftp/pop/imap/irc/jabber, mas se você for usar algo mais pesado, algo como protocolo torrent, exigindo que ele sustente até 300 conexões simultâneas, o equipamento esquenta e depois de um tempo começava a travar de forma intermitente. No final de 2011 resolvi aposentar o AQUÁRIO e tentar algo novo, algo mais moderno, com funcionalidades compatíveis com o padrão 802.11n, afinal meus dispositivos já tinham suporte a esta tecnologia.

Na busca por um novo equipamento, resolvi então voltar a utilizar roteadores LINKSYS, agora sendo comercializado sob o nome da CISCO. Comprei na CTIS – loja do Conjunto Nacional em Brasília – o modelo WAG120N e levei para casa afim de testá-lo de forma efetiva. No primeiro dia ele reiniciou cerca de quinze vezes em menos de 4 horas. Na ocasião estavam conectados ao roteador 2 macbooks, 2 iphones e 1 playstation. Mesmo atendendo a poucos dispositivos ele reiniciava continuamente. Dei uma pesquisada na internet e a quantidade de reclamações – em diversos sites – acerca deste roteador era notável, falhei em não ter pesquisado antes de comprar, acabei confiando demais nas marcas CISCO e LINKSYS, acreditando que eles continuavam com o mesmo nível de qualidade, mas me deparei com um equipamento de qualidade inferior. Como fiquei bastante aborrecido voltei na CTIS e devolvi o aparelho.

Descobrindo uma nova solução WIFI

Após a decepção com a CISCO e Linksys, eu já estava quase jogando a toalha e voltando para o roteador AQUÁRIO,  no entanto, resolvi perguntar ao vendedor se havia algum dispositivo WIFI da Apple, afinal eu estava – e ainda estou – muito satisfeito com todos os produtos Apple adquiridos em 2011, após o questionamento, o vendedor me mostrou um equipamento chamado Apple AirPort Extreme.

O investimento era considerável, cerca de 640 reais, por isto decidi não comprá-lo naquela hora, voltei para casa e iniciei uma pesquisa para saber um pouco mais sobre o equipamento, evitando assim entrar em mais uma fria.

Ao chegar em casa fiquei surpreso com as funcionalidades que encontrei, o equipamento vai além de um simples roteador, é uma verdadeira estação de acesso WIFI. Após a pesquisa decidi comprá-lo e uso este equipamento diariamente desde então. Aqui neste post eu pretendo compartilhar com vocês os recursos, características e as impressões que estou tendo ao usar este equipamento.

Airport Extreme 802.11n (4th Generation)

Ele vem nessa caixa com manual, cabo de força, cd com airport utility e a base/estação AirPort.

O design do equipamento segue o padrão da Time Capsule, Mac Mini e Apple TV.

Dimensões

  • Comprimento: 6,5 polegadas (165 mm)
  • Largura: 6,5 polegadas (165 mm)
  • Altura: 1,3 polegadas (34 mm)
  • Peso: 1,66 libras (753 gramas)

Interfaces

Ele possui na sua traseira 4 portas Ethernet, sendo uma (1) porta WAN e três (3) portas LAN, todas Gigabit. Além desta porta você verá que existe uma interface USB, uma entrada para o cabo de força e um slot para encaixe de cabos de segurança (cadeados). Na parte da frente encontramos apenas uma luz indicativa, e segundo o manual é dali que emana o sinal.

Luzes de Status

Em relação a luz de status, vamos ao resumo segundo o manual:

  • Verde Fixa: Isto indica que suas redes WIFI estão disponíveis e que o equipamento está funcionando corretamente.
  • Verde Intermitente: Ocorre ao ligar o equipamento – processo de pré-inicialização.
  • Amarelo Intermitente: Significa que o equipamento não está conseguindo uma conexão com a internet. Neste caso você precisa verificar se seu modem está devidamente conectado a porta WAN do AirPort, portanto, verifique o cabo e se há sinal de internet em seu modem adsl/cable.
  • Amarelo Fixo: Significa que o equipamento está em processo de inicialização (boot).
  • Azul Fixo: Significa que o equipamento está pronto para se conectar outros dispositivos WIFI, por exemplo um Airport Express.

Funcionamento

A alimentação do equipamento é de 12Vdc ou 1.8A. é recomendável que ele funcione em produção com temperaturas entre 0 e 35 graus célsius em um ambiente com umidade relativa entre 20% e 80%.

Wireless

O Airport funciona em modo DualBand, ou seja ele atende  os padrões 802.11 a/b/g/n em duas frequências.

Na frequência 2.4 Ghz ele atende os padrões 802.11 a/b/g/n e na frequência de 5 Ghz ele atende o padrão 802.11n. Este equipamento consegue funcionar nas duas frequências de forma simultânea.

A potência de transmissão é de 20dBm nominal, sem antena externa. Isto é algo relativamente bem acima da potência dos roteadores padrão de mercado, estes normalmente oferecem de 1 a 5 dBm no máximo, em alguns casos quando oferecem 5 dBm isso se dá através de antenas externas.

Veja abaixo as redes atlantis servidas pelo equipamento, observe o canal e a frequência de cada rede, tudo rodando de forma simultânea.


O equipamento usa o método de transmissão MIMO (Multiple Input Multiple Output) o que aumenta consideravelmente a performance de transmissão entre clientes e AirPort na rede 802.11N. Segundo a apple essa performance é até 5x superior aos roteadores tradicionais. Eu não aferi e nem posso comprovar isto, o que posso dizer é que o desempenho é superior ao AQUÁRIO em muitos aspectos.

A Apple também afirma que o dispositivo sustenta até 50 clientes. Eu já testei 8 clientes de forma satisfatória (2 iphones, 1 Google Nexus, 3 macbooks, 1 playstation e 1 ipad).

AirPort Utility

A instalação e a configuração são bastante simples, tudo é feito através do aplicativo Airport Utility nativo em qualquer MAC e disponível para a instalação em PCs. Através deste software é possível configurar os dispositivos Time Machine, AirPort Express e AirPort Extreme.

Através da porta USB podemos ligar um disco externo ou uma impressora, se preferir pode colocar um HUB USB e compartilhar a interface USB com vários dispositivos.

Além de compartilhar discos, você pode definir uma senha para evitar que computadores de sua rede acessem os dados diretamente de forma insegura. Se você preferir, pode até mesmo definir configurações para oferecer seu disco como um compartilhamento em uma rede CIFS (windows filesharing).

O compartilhamento de impressoras funciona de forma  automática, basta ligar o dispositivo, aguardar e verificar na se ele foi detectado na aba printers do AirPort Utility.

Tanto as impressoras quanto os discos serão anunciados em sua rede via protocolo BONJOUR. No caso do OSX e do LINUX, o protocolo é suportado nativamente, com isto, as impressoras e discos conectados ao AirPort serão detectados de forma descomplicada nestes sistemas.

Aqui em casa eu  estou usando um (1) HD Externo de 500 GB SATA e uma (1) impressora HP OfficeConnect J4580, ambos dispositivos funcionam muito bem e simultâneamente através de um HUB USB. Em relação ao HUB, saiba que não pode ser qualquer HUB, precisa ser um equipamento de qualidade e com alimentação de energia independente da porta USB. Aqui eu optei pelo HUB TARGUS ACH81US – comprei na loja CTIS de Águas Claras – e liguei os dispositivos nas portas denominadas POWER CONNECT. Ao testar HUBS comuns, com alimentação de energia proveniente das portas USB, tanto o disco quanto a impressora não funcionaram.

Compartilhar impressoras e discos é sem dúvida algo que oferece maior mobilidade para trabalhar em qualquer lugar da casa ou escritório. No meu caso, agora eu não preciso mais ficar equilibrando o notebook em cima da impressora que fica em uma mesinha, além disto, meus backups no TIME MACHINE são feitos via conexão WIFI 802.11n em frequência de 5Ghz , a qual tem menor interferência. No entanto, saiba  que em relação ao disco externo, a performance de uso do dispositivo será limitada pela rede WIFI, logo espere boa mobilidade para trabalhar, porém, espere também uma performance mais acanhada durante a gravação e leitura de dados nestes discos.

Apesar dos recursos que já mencionei, o que mais chamou minha atenção foi a possibilidade de ter uma rede GUEST (visitantes) além da minha rede privada, assim eu posso proteger meus macbooks, celulares, impressoras e discos – principalmente o disco usado pelo time machine – deixando as visitas em uma rede apartada que só oferece uma saída comum para a internet. O AirPort ainda permite que você ajuste a rede GUEST para que os clientes conectados a ela se comuniquem, assim eles podem compartilhar arquivos, mas isto é opcional, você decide se eles podem fazer isto, basta um clique.

Em relação a segurança das redes sem fio, o equipamento tem suporte aos protocolos 802.1i e 802.1i-2004, eles são mais conhecidos como WPA e WPA2 e o AirPort oferece os métodos Personal (PSK) e Enterprise (802.1x compatível) para uso destes. Utilizando o Airport com firmware na versão 7.6 eu não encontrei suporte ao protocolo WEP, talvez tenha sido removido nas atualizações mais recentes do software, apesar disto, no site do AirPort Extreme o protocolo WEP continua a ser mencionado.

Em relação a controles de acesso, pode-se restringir o uso das redes através do recurso ACCESS CONTROL. Existem dois métodos de controle, o primeiro chamado TIMED ACCESS nos possibilita restringir o uso das redes sem fio via endereço MAC dos clientes, além disto, podemos definir qual os dias e os horários em que o cliente poderá utilizar a internet.

Essa é a tela onde você define os dias e os horários que um cliente pode utilizar a rede sem fio.

A segundo método é chamado de RADIUS, ele possibilita o controle através de MAC ADDRESS e senhas compartilhadas,  esse segundo método eu ainda não testei e não posso falar muito sobre, mas veja abaixo sua tela de configuração.

O ACCESS CONTROL é um bom mecanismo para que Pais e Mães definam quais os melhores horários para que os equipamentos de seus filhos acessem a internet.

Além disto tudo isto que eu já mencionei, ainda temos os seguintes recursos no AirPort:

  • Compatibilidade com tecnologias NAT, DHCP, PPPoE, VPN Passthrough (IPSec, PPTP e L2TP), Proxy DNS, SNMP, IPv6 (túneis manuais e 6to4)
  • Segurança 802.1X, PEAP, LEAP, TTLS, TLS, FAST
  • Suporte a sincronização de horário do Airport via NTP
  • Envio de LOGS para um servidor SYSLOG
  • Visualização de LOGs e estatísticas (LOGs, DHCP Clients, Wireless Cients) – realtime.
  • Suporte para fixar IPS no DHCP Server via endereço MAC ou DHCP ID do computador. Isso é algo que eu sentia muita falta em outros roteadores, afinal ao fazer um port mapping para um IP significa também que você deseja sempre pegar o mesmo IP, sem a necessidade de configurar um IP FIXO no seu notebook toda a vez que vai usar o recurso. Sei que poderia configurar o LEASE de DHCP Server para não mudar de IP tão rápido, mas a configuração de LEASE não funciona perfeitamente em boa parte dos roteadores padrão de mercado, além disto, eu não gosto de fuçar no lease, prefiro, quanto possível fixar o IP como faço nos servidores DHCPd em ambientes LINUX e UNIX.
  • Port Mapping fácil e rápido.
  • Atualização regular e simplificada de firmware via Air Port Utility
  • Possibilidade de estender as redes entre Time Capsules, Airport Express ou outros AirPort Extremes via WDS
  • Possibilidade de configurar o AirPort via WAN
  • Possibilidade de acessar impressoras e discos via WAN

Conclusão

O conjunto das funcionalidades que cito acima me fizeram optar por este equipamento, mesmo investindo pesado nele, cerca de 6x  o valor de um roteador comum – padrão de mercado.

Mas será que vale a pena?

Eu acho que vale – no meu caso claro, afinal eu levei para casa um servidor UNIX embarcado que pode funcionar como um servidor de impressão, servidor de arquivos e estação WIFI com fartos recursos, além de ser um Switch com 3 portas Gigabit.

Estou usando o airport há cerca de 3 meses, até agora ele tem apresentado estabilidade indiscutível, nunca travou e  não esquenta. Suas funcionalidades são extremamente eficientes e a flexibilidade que ele oferece atendem a todas as minhas necessidades, por isto, recomendo de olhos fechados.

Referências

http://www.apple.com/br/airportextreme/specs.html
http://www.apple.com/br/airportextreme/

http://manuals.info.apple.com/en/airportextreme_802.11n_userguide.pdf
http://manuals.info.apple.com/pt/Manual_de_Configuracao_do_AirPort_Extreme_(Gigabit).pdf

http://en.wikipedia.org/wiki/802.11
http://en.wikipedia.org/wiki/IEEE_802.11n-2009
http://en.wikipedia.org/wiki/Wi-Fi_Protected_Access

[s]
Guto