Redes Sociais: Onde elas podem nos levar?

introÉ perceptível a velocidade com que as redes sociais (SNA) vem se proliferando, isto já há alguns anos vem deixando ser um nicho para hackers, nerds, geeks e micreiros notívagos. As redes sociais tem se tornado cada vez mais acessíveis, indo muito além do Orkut, Last.fm e MSN. Hoje temos o fantástico conceito do micro-blogging, algo presente tanto na internet quanto nos celulares e gadgets, sejam aparelhos populares ou mesmo os modernos smartphones. Praticamente qualquer gadget pode receber (e com certeza já deve ter) algum tipo de programa com foco em SNA. No meu caso, apesar de viver esta rica experiência desde 1996, nas idas das redes de IRC (Internet Relay Chat), o qual era um ambiente com recursos muito mais limitados do que encontramos hoje, tenho me surpreendido com a velocidade das mudanças e com a evolução da tecnologia, eu mesmo estou imerso em dezenas de serviços que facilitam a minha vida, mas ao mesmo tempo me deixam dependente e acostumado com a praticidade de ter tudo a mão o tempo todo, certamente faço parte dos ‘overconectados’, e  assumo que é um desespero quando a bateria do EeePC ou do N95 acabam.

O termo ‘tudo de se transforma’ faz muito sentido na grande rede, o caso do Twitter é ótimo para se utilizar como exemplo. O twitter nasceu inocente, simples, prático, mas só o fato deste serviço existir torna o nosso ‘hoje’ diferente. Acredito que nem os seus idealizadores imaginavam que ele iria iniciar uma revolução na internet capaz de mudar tantos paradigmas, forçando toda a estrutura conservadora de mídia e comunicação a refletir sobre o sentido e a forma de alcançar o público através de uma estratégia de comunicação clara, rápida e limpa.

O que nasceu para aproximar pessoas e amigos, se tornou uma ferramenta de comunicação séria, hoje largamente utilizada e divulgada na grande rede.

Todo o processo de pesquisar, redigir textos, editar, revisar, corrigir, diagramar e publicar faziam com que o leitor recebesse em certos casos algo frio, moldado artificialmente de acordo com a ótica e interesses de quem  controla e detém o direito de publicação. Com o Twitter, Identi.ca ou qualquer outra ferramenta de micro-blogging, se algo aconteceu, já está na rede, é o cidadão comum fazendo o furo, mandando por exemplo fotos do Presidente Lula brincando com as crianças em um evento, possibilitando uma perspectiva cotidiana real, criando alternativas ao que normalmente é nos apresentado. Com o micro-blogging todos estão publicando a informação na hora, de forma simples e tudo em desafiadores 140 caracteres.

Jornalistas, blogueiros e profissionais de comunicação estão hoje fazendo cobertura via sistemas de micro-blogging, artistas estão mais próximos do seu público, pessoas públicas, como por exemplo o Ministro Paulo Bernardo (do Ministério do Planejamento) tem estreitado laços com a população e diminuído a distância imposta por seu cargo e seu trabalho. Hoje você pode simplesmente mandar uma mensagem para @Paulo_Bernando e muito provavelmente o Ministro vai lhe responder.

O governo está usando o Twitter, a TV, o Rádio, as escolas, as empresas, sejam estas públicas ou privadas, estão aos poucos descobrindo, evoluindo e saindo da letargia social, estas mudanças permitem que eles utilizem as ferramentas de SNA  para alcançar o seu público, independente do nicho.

Eu mesmo sigo vários Ministérios e perfis governamentais que publicam diariamente informações que em segundos se tornam milhares de RT’s (Retweets) pela rede, divulgando e massificando algo que pode reverberar até os rincões de nosso país.

Comunicar é também mobilizar, esse é um outro uso constante e eficiente das SNA’s, estou falando da aplicação do conceito e da tecnologia para organizar atos públicos, combinação que tem sido um sucesso. Um exemplo disto foi o ato público que questionou o editorial da Folha de São Paulo, aquele que afirmava que a Ditatura no Brasil havia sido branda, comparando algo incomparável. Divulgado mundialmente como ‘Ato contra a #Ditabranda’, em poucos dias a iniciativa de algumas  pessoas ganhou forma, força e a comunidade organizou de forma horizontal e descentralizada o ato em si, todo este movimento e opiniões  percorreram a rede em centenas de blogs, sites e sistemas SNA, e após o movimento virtual, a maciça divulgação foi parar na frente da Folha de SP, estiveram presentes mais de 400 pessoas e 30 entidades com foco em Direitos Humanos, no dia 07 de Março de 2009 as pessoas se fizeram ouvir e toda a cobertura foi feita na hora via 3g + Twitter + Twitpic. O mesmo tipo de organização foi feito no #MEGANÃO contra o AI5 Digital do Senador Azeredo.

Hoje as pessoas não dependem mais dos veículos de comunicação convencionais para expressar suas ideias, a internet e as SNA’s possibilitam que todas estas vozes ecoem nos porões de quem acredita que controla a informação, e faz isto incomodando, promovendo mudanças e retratações, como aconteceu no caso da ditabranda.

E isto tudo continua crescendo, libertando pessoas, lugares, pensamentos, modificando o que já não se considerava mais mutável. O twitter como muitas outras ferramentas de SNA é mutante, é constante, é viral, e isso está nos levando a caminhar por trilhas que apontam para um mundo mais coerente, justo e verdadeiro, onde todos podem falar e ouvir o que quiserem.

- O que você está fazendo agora? (What are you doing?)

Essa é a pergunta que pode ter infinitas respostas, diferentes usos e ações, o limite é só imposto por sua criatividade.


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12 Responses to Redes Sociais: Onde elas podem nos levar?

  1. Paulo kretcheuNo Gravatar says:

    #POA

    Nos anos … (muito antigamente) uma charrete bate em um poste de luz na
    Praça XV de Novembro em Porto Alegre.

    Naquele momento um dos transeuntes chama a força policial, um outro vai
    a redação de um pequeno jornal local. Não muito tempo depois um repórter
    entrevista o condutor, as testemunhas oculares do acidente. A notícia
    passa pela avaliação daquele repórter, se é de relevância para cidade,
    para seu jornal. Quem sabe para uma jornal de maior abrangência.

    Este de volta a redação encaminha ao seu editor a matéria. A manchete no
    jornal vai depender de posições políticas do editor e do próprio jornal.
    Soube-se que o acidente fora provocado por um buraco, a muito não
    tampado pelo prefeito. Se a editoria é favorável ao prefeito, a manchete
    poderia ser: “Carroça destrói recentes melhorias na praça XV”. Se for
    desfavorável a manchete seria: “Mais um acidente provocado por obras
    inacabadas”.

    Você neste momento vive em Belém e embora se interesse muito pelos
    assuntos de Porto Alegre, em especial a praça XV, não tem dinheiro para
    mandar trazer todos os jornais de lá. Talvez só venha a saber do
    ocorrido, alguns meses depois numa carta de um amigo.

    Nesse tempo éramos absolutamente dependentes do crivo de jornalistas,
    editores, redações, para ter acesso aos fatos com os detalhes do nosso
    próprio interesse. Por motivos pessoais, políticos e até má fé.

    Hoje em dia um caminhão derruba um poste na Praça XV de Novembro em
    Porto Alegre.

    Alguém sentado num bar, fotografa, outro numa esquina próxima, telefona
    para um repórter, um manda uma mensagem para net. Não muito tempo depois
    um repórter está por lá fazendo o mesmo que seu colega do passado. As
    avaliações de relevância continuam inalteradas.

    Você neste momento vive em Belém, e um segundo depois recebe a mensagem
    daquele que mandou para net num grupo de interessados por Porto Alegre.
    Ainda interessado, pesquisa sobre o assunto #pracaxv e vê que mais
    pessoas mandaram notas, uma delas esclarecendo qual dos postes fora
    destruído, deixando você tranquilo, pois o poste não era aquele de seu
    primeiro beijo com sua namorada.

    No dia seguinte a notícia já é velha, mas ainda assim procura nos
    jornais, mas esperando encontrar algo mais profundo como uma análise
    sobre os acidentes na cidade. Os investimentos feitos pelo prefeito no
    recapeamento do asfalto, na conservação de praças públicas, etc.

    O Jornalismo está mudando, os jornalistas vão precisar vencer
    paradigmas, se aprimorar, conhecer os fatos não será mais suficiente. A
    cada dia mais, os valores que determinam a relevância dos fatos está na
    mão das pessoas comuns. Isso assusta a muitos, em especial os donos dos
    veículos de comunicação.

    []‘s
    kretcheu

  2. Rui OgawaNo Gravatar says:

    Apesar disso, muitas pessoas me perguntam: “Twitter? não perco tempo com essas bobagens…” Claro, toda rede social terá a função que seus usuários definirem. Você segue quem quiser e e escreve o que quiser e isso é ótimo. Mas o Twitter ou qualquer outra rede não escolhe isso, é você que escreve.

    O lance mais legal do Twitter é que ele se assemelha muito ao nosso convívio social real. Uma conversa é feita por pequenas trocas de parágrafos, sobre os mais diversos assuntos. E quando você não se interessa sobre aquele assunto, você deixa a conversa. É assim, se te interessa, você segue, caso contrário simplesmente não segue e pronto. Me disseram também que 140 caracteres é pouco demais para ter alguma importância. Depende do que você considera ser importante. Aquilo que eu não considero importante pode ser vital para outra pessoa, e vice-versa.

    Mas sem dúvida, a criação de um canal direto com as pessoas públicas é uma das características que mais me chamam a atenção. E é uma excelente ferramenta na disseminação de ideias que e notícias do interesse social.

  3. Gustavo Noronha SilvaNo Gravatar says:

    Falou e disse!

    Embora eu ache que algumas decisões que o governo tem tomado a respeito de como utilizar esses recursos, concordo plenamento que ferramentas como blogs e micro-blogs detonam qualquer coisa do passado próximo.

    Dois links interessantes relacionados a isso:

    Gordon Brown falando sobre como essa ‘interconexão em massa’ nos dá poder para resolver problemas tão gigantescos quanto esse: Wiring a web for global good.

    Também tem meu post com a minha opinião a respeito da forma como o governo tem se aproveitado dessas tecnologias.

    Vamo que vamo =).

  4. Lucio UberdanNo Gravatar says:

    Olá,

    Legal o post, assim como você acredito que uma profunda transformação esta em curso na sociedade, fruto em muito da “internet”, ainda que não se esgote por ela e nela, bem como nem é ela o único “motor”.

    Acredito igualmente que essa “profunda transformação” levará um bom número de anos para gerar impactos de fato, ainda que pareça para nós que as transformações são quase instantâneas e gigantescas. O Orkut como ferramenta mais antiga poderia ser nossa análise, pós tantos anos de Orkut no Brasil e seu maciço uso, que elementos de fundo foram trasnformados na sociedade?

    As concepções de “descentralização” e “rede” são mais antigas e complexas que a revolução digital, essas estão ancorada em muito nas necessidades de mutação do Capital nos últimos 50 anos, na busca de uma necessidade implacável de ampliar as taxas de lucro e produtividade, como por exemplo nas taxas de mais-valia extraordinária que vemos hoje. Algumas que chegam a “irrealidade” como no caso do Orkut, onde todos(as) estão produzindo horas/conteúdo que última instância é apropriado de forma lucrativa pela Google.

    Sobre o Twitter, de fato esse veio para ficar, bem como apresenta inúmeras possibilidades de subversão da ordem ainda que pouquíssimo impactantes hoje. O Twitter e a apropriação dele pela sociedade, “parece”(não sei ao certo) que tem se resumido mais em alterar a forma no “jornalismo” por exemplo, que a estrutura de fato do jornalismo, o que dá espaço para a grande mídia por exemplo absorver o mesmo e potencializar-se.

    Muito mais importante que uma nova possibilidade de cobrir um “furo” jornalístico, de forma instântanea, é a possíbilidade de uma nova forma de animar uma comunicação diferenciada gerando trabalho e renda igualmente diferenciada. Questão ainda grandiosamente em aberto.

    De resto uso e animo para que usem o Twitter, igualmente pelo meu blog contribuí na animação da atividade da Ditabranda, mas igualmente guardo muito ceticismo sobre a capacidade da sociedade usar dos meios tecnológicos para subverter o capital, e assim gerar como dizes um “mundo mais coerente, justo e verdadeiro, onde todos podem falar e ouvir o que quiserem”.

    As redes sociais emquanto tecnologia propriamente dita, não dizem muita coisa do ponto de vista da “transformação”, como essas serão apropriadas que o “X” de teu artigo é ponto em questão, elas em geral tem um efeito gigantesco na construção no aumento do tempo produtivo das pessoas.

    Não vamos esquecer também, que enquanto pouco mais de 1000 seguem o Paulo Bernardo (que citas) e eu me incluo nesses, mais de 890.000 seguem o Luciano Huck, e mais de 230.000 seguem o Christianpior do Pânico. As redes sociais como potência que são, animam os desejos médios de seus usuários, bem como guardam uma alta propenssão de alienação social por vezes.

    Parabéns ao artigo, já sigo o camarada no twitter também.
    Abraços,

    Lucio Uberdan
    http://Www.BrasilAutogestionario.org
    http://twitter.com/autogestaobr
    http://twitter.com/luciouberdan

  5. deavgNo Gravatar says:

    A imprensalona miguelava um ou outro espaço de expressão de idéias de gte como a gte… mas no fundo ela nunca foi esse tipo de espaço. A msg é de lá pra cá. A internet sim, é rede de comunicação, de troca…

    Gostei e retuitei! Um abraço!
    :D

  6. Normann KalmusNo Gravatar says:

    Muito legal, meu caro.
    Posso republicar no meu blog?
    Ah, só uma observação. O título desta caixa está errado (Deixar um comentrio – tá faltando um “á”)

  7. gutocarvalhoNo Gravatar says:

    Normann,

    Claro que pode, tudo que faço é licenciado em Creative Commons ;)

    Quanto ao erro de grafia, ainda estou tentando descobrir por que este tema não está carregando letras acentuadas, mas valeu por me alertar.

    []‘s
    Guto

  8. gutocarvalhoNo Gravatar says:

    Deavg,

    Concordo, é por isto que ela deve se manter livre, temos que lutar para que o congresso não faça o que o Senador Azeredo deseja, equiparando Internet com TV e Rádio, querendo estabelecer regras de controle e censura, tentando de alguma forma regular o fluxo
    de informações.

    Obrigado pelo RT ;)

    []‘s
    Guto

  9. gutocarvalhoNo Gravatar says:

    Gustavo (Kov),

    Obrigado pelos links, já estou lendo :)

    []‘s
    Guto

  10. gutocarvalhoNo Gravatar says:

    Sr. Ogawa (Rui),

    A forma como o Twitter e o Identi.ca tem estreitado os laços entre as pessoas que normalmente não teriam a menor possibilidade de interagir também me impressiona :)

    []‘s
    Guto

  11. gutocarvalhoNo Gravatar says:

    Kretcheu,

    Esta mudança de cotidiano que nos apresentou foi fantástica, obrigado por compartilhar ;)

    Enfim, aproveitando o gancho das mudanças, preciso dizer que não é só o jornalista que está mudando, acho que toda a sociedade está sendo de alguma forma convidada a compartilhar e se expressar, acredito que as mudanças que a cybercultura tem trazido vão continuar reconstruindo paradigmas. O que me espanta é a velocidade desta mudança, hoje mesmo quem é da área continua sendo atropelado pelas novidades, a dinâmica, diversidade e a criatividade nos mostram que as necessidades mudam constantemente, não basta estar online, você precisa compartilhar, não basta mais ler, você precisa interagir, é uma transformação e reconstrução coletiva, algo que ao meu ver nos brinda com a criação de uma grande comunidade, sem fronteiras, sem censura, sem preconceitos, livre para pensar e ser como é.

    []‘s
    Guto

  12. Octavio PitalugaNo Gravatar says:

    Caro Guto,

    Parabéns pelo seu artigo e pela sua visão otimista das redes sociais!
    De minha parte, já estou criando meu próprio canal web tv (http://topexecutivesnet.isofa.tv). Por favor, vejam o primeiro video que diz que o Facebook tem 200 milhões de membros. Apesar de ser super recente, já está desatualizado. Já são 250+ milhões nesse momento! E tem gente que ainda não entendeu o nome do verdadeiro jogo: GESTÃO DE POPULAÇÃO. Mas parece que os políticos já entenderam. Depois do Barack Obama,… logicamente. Reforço seu ponto perguntando:

    1. O QUE SUA EMPRESA ESTÁ FAZENDO SOBRE ISSO?
    2.O QUE SUA EMPRESA FARIA SE SOUBESSE QUE SEU MAIS TEMIDO COMPETIDOR ESTÁ SUPER ATIVO EM REDES SOCIAIS?

    Abraços,

    Skype: octaviopitaluga

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