Falando em inclusão digital….
Segunda-feira, Julho 21st, 2008Algumas coisas só acontecem em Brasília, vou contar uma rápida história sobre um certo projeto de inclusão digital bem conhecido aqui na esplanada, este projeto tinha uma pessoa responsável por cuidar de todo o processo de avaliação e elaborar uma metodologia de trabalho eficiente, sustentável, e também tinha a missão de fazer isto de uma forma colaborativa, pois este era um dos preceitos do projeto. Esta pessoa durante anos trabalhou neste projeto utilizando recursos públicos em sua elaboração e nas diversas tentativas de implementação e execução do mesmo, porém esta pessoa fez isto de forma isolada, sem consultar as comunidades atendidas, sem consultar sua equipe, sem consultar outros especialistas, esta pessoa ficou totalmente imersa em uma visão acadêmica e pelo visto continua nela até hoje.
Já que mencionamos a visão acadêmica vamos então falar da academia, veja, esta mesma pessoa também resolveu utilizar este projeto como base para sua tese de doutorado, afinal sobravam recursos para bancá-lo, enfim, esta pessoa tinha a crença de que este era o modelo ideal, o modelo mais eficiente, e em sua visão arrogante, qualquer entidade que fosse atuar com inclusão digital, deveria utilizá-lo como referência ou implementá-lo em sua totalidade e plenitude.
Pois é, mas como dizem, o mundo dá voltas, e o tal projeto único, a tal tese perfeita, o modelo que seria solução para todos os problemas da inclusão digital no país foi REPROVADO por unanimidade pela banca examinadora durante a defesa proferida pela tal pessoa, e isto aconteceu em uma das maiores e mais respeitadas universidades federais do Brasil a UNB.
Quem diria que durante anos e anos pessoas seguiram cegamente as vontades e excentricidades desta pessoa, preenchendo cansativos modelos acadêmicos, ouvindo diariamente verborragia desenfreada, agüentando a arrogância e o desrespeito, sim, pois todos nós éramos seres inferiores, afinal não estávamos fazendo doutorado e nossa opinião então não valia nada.
E agora com fica o tal projeto? Acho que chegou hora de repensarem todo o seu modelo, afinal uma banca de doutorado acaba de dizer com todas as L-E-T-R-A-S que aquele modelo é ineficiente e que não se APLICA nem como uma simples avaliação de alguma coisa, aliás segundo depoimento de pessoas presentes, um dos examinadores citou a audácia de apresentá-lo como uma teste de doutorado, algo que é no máximo um relatório sobre um projeto que até hoje não conseguiu andar pelas próprias pernas.
O que é mais triste em tudo isto é que grande parte da equipe que trabalhou neste projeto nos últimos 4 anos já sabia disto a muito tempo, mas as diversas tentativas de propor melhorias foram em vão, a coordenação do projeto insistia em manter os olhos fechados para não enxergar o que estava embaixo dos seus olhos e narizes. Eu ainda me pergunto qual seria o motivo para isto? Pode ser ego, provavelmente orgulho, mas por causa disto tudo, sabemos com tristeza que que são as comunidade que precisam e tentam ser atendidas por tal projeto em todo o país os mais prejudicados com este fato.
Humildade e respeito são atributos que todos devemos ter, feliz são os que possuem estas características natas, infelizmente alguns tem que cair do cavalo, e outros tem que levar um daqueles tombos que deixam cicatrizes para que aprender que estes atributos são fundamentais para se viver em comunidade e harmonia.
Uma pessoa que não sabe viver entre outras pessoas não tem a mínima condição humana de elaborar um projeto de construção colaborativa e compartilhamento de conhecimento, digo isto pois lhe falta o contato e o calor humano além de uma mínima compreensão da vida em comunidade. É uma pena que tenham demorado tanto tempo para perceber isto, se é que alguém percebeu, se não, espero que esta história desperte aquelas pessoas que precisam a muito acordar da lisergia que os envolvem.
Abraços,
Guto




