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No dia 8 de Março dispense a rosa

segunda-feira, março 9th, 2009

dispense-a-rosaOntem foi o dia internacional da mulher, por uma questão de costume e cordialidade, muitos de nós homens damos os parabéns para as mulheres neste 8 de março, alguns entregam rosas, participam de passeatas, fazem isto sem nem ao menos saber o porque deste ato, aliás a grande maioria não sabe mesmo as razões de estarem se expressando daquela forma. O fato é que eu mesmo o fiz ontem 2 vezes e cheguei até a enviar uma mensagem no twitter parabenizando o movimento feminista pela sua incessante luta para construir uma sociedade mais justa e coerente, mas hoje eu me perguntei: – “O que é relevante nisto tudo, neste dia, nestes atos?”

Eu sempre fiquei muito encucado com este dia internacional da mulher, eu nunca enxerguei diferenças entre estes lados, claro isto por que eu sou jovem, nasci praticamente depois de 1 século do início desta luta, nasci em um país que se encontrava no final do regime militar, não sofri a ditadura e graças a luta de muitos eu já nasci livre, com direito de me expressar e portando o faço agora.

Eu cresci em um estado pequeno, provinciano, e talvez tenha sido a forma como eu fui criado que me ofereceu esta percepção de igualdade, o fato é que ontem em São Paulo eu peguei o metrô de Santana para o centro da cidade para que eu pudesse me despedir de alguns amigos e amigas que estiveram no ato de repúdio ao editorial da Folha sobre a #ditabranda, ato que ocorreu neste sábado no dia 07 de março de 2009, durante o transporte eu vi e pude perceber muitas pessoas se dirigindo para inúmeras passeatas na cidade, pessoas conversando, alegres, contentes, mas não consegui ver e ouvir alguém falando sobre a história, sobre o movimento feminista, poucos ali sabem que há mais de um século corajosas mulheres pelo mundo todo iniciaram a luta pelo os seus direitos, direitos estes como votar, trabalhar, direito ao divórcio, direito de se preservar, direito de cuidar de sua saúde e de seu corpo, direito de ser livre e independente, direito de ser tratada com igualdade, direitos fundamentais que historicamente foram cerceados por milênios pois a mulher era tida como propriedade, primeiro do pai, depois do marido, é como se um ser humano fosse um objeto.

Mesmo hoje em 2009 vivemos em um país extremamente machista, aliás não em só em um país, mas em um mundo, você pode perceber isto diariamente, seja assistindo programas na televisão, seja ouvindo rádios, trabalhando, andando na rua, vivendo o seu dia-a-dia, a todo o momento, em todo o lugar é possível perceber que apesar de toda a luta destas mulheres o machismo ainda é uma constante no mundo. No meu pequeno estado, estado que acolhe 70% do pantanal brasileiro, cresci e vi como era a relação e o comportando entre os casais no pantanal, um local ermo, sem leis, sem fronteiras, vivendo o seu próprio tempo, eu achava aquilo tudo um absurdo, a forma de tratamento, o descaso, a submissão, e tentava entender e interferir, mas eu era uma criança e não podia fazer muito, em conversas com o meu pai e minha mãe eles sempre procuraram me educar e esclarecer que aquilo não um tratamento coerente, que ali não havia respeito, havia apenas submissão, medo, eu era muito jovem e via coisas acontecerem próximo a mim e tentava traçar um comparativo com da relação destes  casais e a relação dos meus pais, relação onde havia um tratamento entre pessoas iguais, com muito respeito e admiração, por várias vezes tentei entender por quê isto não se estendia aos casais do pantanal, mas como criança não consegui  na época chegar a uma conclusão. Isto que relato ocorreu nas idas das décadas de 80 e início da década de 90, mas não foi só isto, já adolescente vi barbaridades ocorrerem na cidade em que eu morava, mulheres apanhando na rua, em bares, espancamentos, humilhações, submissão, fatos graves, em algumas ocasiões em que presenciei de perto e pude interferir levei mulheres, vítimas de agressão e abuso para o hospitais e senti o preconceito e o descaso até nestes locais de atendimento público, médicos e enfermeiros que faziam piadinhas naquele complicado momento, certa vez ouvi um médico conversando com o enfermeiro: – “O que será que ela fez para tomar porrada, será que chifrou o cara?” , parecia para eles que o agressor era a vítima defendendo a sua honra, e a vítima a agressora, absurdo, neste caso em específico eu fui testemunha ocular em ocorrência na delegacia da mulher, conseguiram prender o agressor em flagrante e levei a vítima para casa de familiares, mas é um caso raro, as pessoas não se envolvem e todas estas barbaridades são sempre abafadas e esquecidas por quase todos na cidade, mas as marcas, as cicatrizes, sejam físicas ou psicológicas, estas eu sei que estão naquelas mulheres até hoje, digo isto por que em um adolescente e depois em um jovem adulto, aquilo deixou profundas marcas que hoje já na faixa dos 30 anos ainda oferecem um horripilante frio na espinha quando repasso tais memórias.

Depois de tanto ver, ouvir e depois de sentir todas estas duras memórias, não tenho como deixar de pensar na hipocrisia da sociedade, principalmente da grande maioria dos homens no dia internacional da mulher, se eles estivessem celebrando as conquistas de uma luta centenária, se eles estivessem dispostos a construir uma sociedade justa e igualitária, o tom  deste post certamente seria outro, porém na minha opinião este tem se tornando um ato em que maioria das pessoas simplesmente o fazem sem entender o sentido e o simbolismo que uma luta como esta deveria expressar, chegando a ser um desrespeito àquelas em que desejam homenagear.

Por isto tudo o que eu disse, e por ter um profundo respeito com qualquer ser humano, transcrevo o texto abaixo por entender que ele traduz muito do que eu penso, muito do acontece todos os dias, muito do eu vi, vejo e repudio.

O texto abaixo foi escrito por Marjorie Rodrigues e o manifesto organizado pela Comunidade Feminismo e Libertação

No dia 8 de Março dispense a rosa

“Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: ”parabéns”.

Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.

Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.

Dizem que a rosa simboliza a  “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade — da supervalorização da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas.  Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger.  Mas, bem,  segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro.Este tipo de crime também aparece com frequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.

Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”.  A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades.  Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso — onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas.  Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou 18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor…).  Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca. Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama. “Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.

Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte.  Os anúncios e ensaios de moda glamurizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência, estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.

Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas”, propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?) dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.

Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no dignissímo senhor seu ** . “

Autoria: Marjorie Rodrigues / Organização: Comunidade Feminismo e Libertação / Saiba mais sobre a campanha.

lugares que eu não recomendo: Restaurante Hooters de Brasília/DF

terça-feira, maio 6th, 2008

Antedimento ruim, lento e confuso, isto quando lembravam de passar na ala na qual estávamos sentados.

Preço para lá de salgado, uma salada césar, um grelhado e 5 asas de frango = R$ 90,00.

Apologia ao machismo e a exploração do corpo feminino, as funcionárias lhe atendem envergonhadas de estarem utilizando o uniforme oferecido pela rede, é visível o desconforto de cada uma.

O frango é gorduroso, tanto eu quanto minha esposa ficamos indispostos após a refeição.

Este restaurante eu não recomendo.

[]’s
Guto

viajando por um país continental… Cuiabá/MT

quinta-feira, outubro 25th, 2007

Hoje estou em Cuiabá/MT, ontem perdi o vôo para Sinop, a TAM atrasou, perdi a conexão, as questões de praxe de sempre, fui acomodado em um Hotel bacana para ficar numa boa e não “tretar” com a TAM. Perdi compromissos mas desta vez nada urgente, bom pelo menos comigo, tinha um senhor esbravejando na fila dizendo que perdeu um negócio de 5 milhões por causa desse vôo, e estava exigindo um táxi aéreo para a Sinop/MT… resultado a TAM disse que não ia pagar nada, que ele teria que esperar pelo vôo hoje. O cara também não pagou do bolso dele o Taxi, pelo visto não era tão urgente, estranho né, tanta grana em jogo e não ter 800 contos para pegar um táxi aéreo, essa sensação de “pequeno poder” me irrita, o que gera uma cena ridícula além de menosprezar as pessoas em sua volta, como se nossos compromissos fossem menos importantes que o dele, o capitalismo transforma as pessoas em seres incômodos e incoerentes.

No hotel foi uma novela, a internet sem fio não funcionava, liguei várias vezes na recepção avisando que eu não conseguia utilizá-la, o cara da recepção só sabia dizer que rede sem fio as vezes “OSCILA”, eu falei para o cara que estava conectado normalmente na rede do quarto andar (estava no terceiro andar) com qualidade de sinal acima de 60%, não havia perda de pacotes entre eu e o ponto de acesso, tão pouco entre eu e o roteador deles, o qual estava com resposta ao ping em media 0.600 ms, o que é excelente, mesmo assim com todas as informações o cara disse que oscila e era para eu descer para ele checar minhas configurações, falei para o cara que usava linux, perguntei se seria um fator complicante,o cara disse que o “menino” ia dar uma olhada, nesta altura, com a falta de tato do cidadão decidi desligar tudo e dormir, e tenho certeza de que nunca mais vou ficar nesse hotel na vida. Por que estava lá? O Hotel era pago pela TAM, eu não podia reclamar, mas não recomendo se você precisar de acesso eficiente e estável à internet. O nome do Hotel é Mato Grosso Palace Hotel em Cuiabá/MT, realmente situação lamentável.

Vou embarcar agora, hoje ainda quero postar uns novos tutoriais do ubuntu.

Aliás agradeço aos leitores do planeta ubuntubrasil :)

Vou ajudar quem puder, só estou um pouco atarefado no momento.

[]’s
Guto

preconceito, já sentiu isto na pele?

quarta-feira, outubro 10th, 2007

Há alguns dias viajando pelo Mato Grosso do Sul estive em Corumbá/MS, para fazer um rápido atendimento na unidade, ajustando alguns problemas, cheguei na quinta-feira e fui embora na sexta-feira. Quando estava no aeroporto fui abordado por policiais federais que solicitaram que eu me dirigisse a sala deles para “averiguação”, eis que me dirigi até lá e depois disto foram os 10 minutos mais tensos de minha vida, apesar de não ter perdido a calma e ter agido de forma natural, afinal quem não deve não teme, como já dizia o ditado, confesso que eu estava muito tenso e desconfortável.

Não sei se é pelo tipo truculento de atendimento, onde você não é inocente, é uma inversão dos direitos humanos, pelo que sabemos somos inocentes até que se prove o contrário, mas não ali, nesta situação você é suspeito até que você prove o contrário. Eles fazem perguntas, revistam sua mala, verificam seus documentos, ficam repetindo perguntas esperando que você caia em uma contradição, é uma sensação de invasão, de perda de privacidade, uma sensação de estar a mercê dos acontecimentos, como se um filme estivesse passando na sua frente e você não pudesse interferir, pois o final já foi escrito, decidido por alguém.

Eu estava em uma cidade de fronteira, uma cidade que tem problemas, relacionados ao tráfico, ao contrabando, eu estava em um local em que não conheço muitas pessoas, e nos dias de hoje a população tem tanto medo da polícia quanto medo dos criminosos, veja no Rio de Janeiro/RJ, recentemente quase 100 policiais foram presos por ligação com o tráfico e crime organizado, perdemos a referência de autoridade e segurança pública em nosso país.

Além de todos estes detalhes ainda tem o quesito “visual”, eu tenho cabelo comprido, uso barba, ando com roupas leves, ando com uma bolsa, é um estilo pouco usual, neste dia estava com uma bata que eu trouxe de Salvador e uma calça cargo, há quem diga que é um estilo meio “rippie”, enfim, acredito que por ter este estilo tenha sido abordado, o que caracteriza na minha opinião preconceito. Enfim como quem não deve não teme apesar de todas as checagens e desconfortos fui liberado, mas isto não me livrou dos olhares fulminantes dos agentes, como se estivessem revoltados por não terem encontrado nada de errado comigo, neste momento quase pude ler seus pensamentos: – “Esse ai tem coisa… tá devendo… na próxima a gente te pega” , pode ser ilusão da minha cabeça, mas foi como me senti ao sair de lá. Quando voltei a fila o pessoal estava acuado com minha presença, como seu eu realmente fosse um bandido ou criminoso, isto foi constrangedor, em todos os aspectos, teve até uma senhora, estilo “perua” que não queria deixar eu voltar para o meu lugar, eu disse simplesmente para ela ir lá na PF reclamar, foi então que ela trocou de fila.

Ontem estava na mesma cidade com uma colega de trabalho, eu fui abordado novamente pelo mesmo policial, ele perguntou: – “Eu te conheço?” Eu respondi que sim, que ele já havia me levado para conversar em sua salinha no aeroporto, mas falei numa boa, ele aparentemente lembrou de mim foi levando outra pessoa da fila para a sala. Quando estávamos terminando o check-in a minha colega foi abordada e levada para a sala, quando voltou ela disse que a primeira coisa que o agente perguntou foi: “Você está com o cabeludo?” Ela respondeu que sim e infelizmente passou pelos mesmos constrangimentos que eu passei na última viagem.

Fazendo uma reflexão, os agentes são jovens, parece que novos na PF, talvez do último concurso, querem mostrar serviço, ali é um local complicado, é fronteira, eu entendo de alguma forma, porém a questão de serem jovens foi o que me deixou mais preocupado, se são jovens o treinamento deles é recente, será que no século XXI ainda existe um treinamento que oriente esses agentes a serem truculentos, mal-educados, será que existe um treinamento que os oriente a nos deixar constrangidos?

Em nenhum momento fui orientado sobre meus direitos, sobre o que posso ou não posso fazer, como devo proceder, simplesmente entrego minha vida na mão de pessoas que não conheço, e na maioria dos casos a gente fica quieto omisso a abusos com medo que estas pessoas possam de alguma forma nos complicar.

Estou realmente exausto de viver refém de uma sociedade a qual nos faz temer nossas próprias autoridades, estou exausto de viver em uma sociedade cheia de preconceitos.

Fica aqui o desabafo e a seguinte pergunta, será que devemos recorrer a nossos direitos ou ficar quietos nesta situação, devemos exercer nossa cidadania, exigir respeito e tratamento digno ou devemos nos omitir para nossa própria segurança?

Eu me faço estas perguntas todos os dias.

[]’s
Guto

a gente acha que só acontece com os outros….

quarta-feira, outubro 10th, 2007

Hoje de madrugada a unidade Casa Brasil MCP em Campo Grande/MS foi roubada, levaram 3 terminais e molharam todo o telecentro, ainda tenho que ir lá fazer um levantamento dos danos nos equipamentos, resta esperar a perícia técnica analisar o local antes.

É uma pena que algumas pessoas não entendam a importância da Casa Brasil para a comunidade, a diferença, as chances e oportunidades que ali são oferecidas.

Este tipo de atitude de algumas pessoas, testa nossa fé na sociedade.

Mas eu não vou desistir deste bairro.

Ao proponente desta unidade só tenho uma coisa dizer, não foi por falta de aviso, descaso é fod@ meu caro.

[]’s
Guto

viajando por um país continental… Corumbá/MS

sexta-feira, outubro 5th, 2007

Hoje estou em Corumbá/MS, na unidade Casa Brasil, temperatura 36 graus célsius e subindo….

Como no Mato Grosso, o Mato Grosso do Sul também está em chamas, aqui na cidade estamos “dentro” da fumaça, o ar está pesado, denso, está difícil respirar e encontrar oxigênio puro, aliás isto está se tornando artigo de luxo, já li em algum lugar que existem cafés que oferecem inalação de oxigênio 100% puro, acredite.

Hoje já vendemos água, agora estamos vendendo AR, essa é a globalização com seu amigo capitalismo.

Veja a matéria sobre latinhas de oxigênio neste link

Tem barzinho colocando oxigênio no cardápio, veja neste link

Já em gente falando que o2 puro dá barato, será?

Daqui a pouco posto umas fotos para terem uma idéia do CAOS natural do MS.

[]’s
Guto

problemas com DNS…

quinta-feira, outubro 4th, 2007

Estou com alguns problemas de DNS, estou tentando resolver com a bighost, mas o suporte deles não está dando muita atenção para mim, é uma pena, achava a condominio uma empresa séria, já gastei 3 interurbanos e ainda não resolvi.

Acontece que algumas pessoas não conseguem entrar no meu site, já chequei meus servidores de DNS estão bem configurados, basta verificar via DIG.

Só pode se treta nas configurações de NS da bighost.

ns1.gutocarvalho.net/201.41.82.50

gutera@defiant:~$ dig @201.41.82.50 gutocarvalho.net

; <<>> DiG 9.3.4 <<>> @201.41.82.50 gutocarvalho.net
; (1 server found)
;; global options:  printcmd
;; Got answer:
;; ->>HEADER<<- opcode: QUERY, status: NOERROR, id: 17209
;; flags: qr aa rd ra; QUERY: 1, ANSWER: 1, AUTHORITY: 2, ADDITIONAL: 2

;; QUESTION SECTION:
;gutocarvalho.net.              IN      A

;; ANSWER SECTION:
gutocarvalho.net.       86400   IN      A       201.41.82.50

;; AUTHORITY SECTION:
gutocarvalho.net.       86400   IN      NS      srv1.gutocarvalho.net.
gutocarvalho.net.       86400   IN      NS      srv2.gutocarvalho.net.

;; ADDITIONAL SECTION:
srv1.gutocarvalho.net.  86400   IN      A       201.41.82.50
srv2.gutocarvalho.net.  86400   IN      A       201.41.82.51

;; Query time: 5 msec
;; SERVER: 201.41.82.50#53(201.41.82.50)
;; WHEN: Thu Oct  4 10:00:32 2007
;; MSG SIZE  rcvd: 120

ns2.gutocarvalho.net/201.41.82.51

gutera@defiant:~$ dig @201.41.82.51 gutocarvalho.net

; <<>> DiG 9.3.4 <<>> @201.41.82.51 gutocarvalho.net
; (1 server found)
;; global options:  printcmd
;; Got answer:
;; ->>HEADER<<- opcode: QUERY, status: NOERROR, id: 29238
;; flags: qr aa rd ra; QUERY: 1, ANSWER: 1, AUTHORITY: 2, ADDITIONAL: 2

;; QUESTION SECTION:
;gutocarvalho.net.              IN      A

;; ANSWER SECTION:
gutocarvalho.net.       86400   IN      A       201.41.82.50

;; AUTHORITY SECTION:
gutocarvalho.net.       86400   IN      NS      srv1.gutocarvalho.net.
gutocarvalho.net.       86400   IN      NS      srv2.gutocarvalho.net.

;; ADDITIONAL SECTION:
srv1.gutocarvalho.net.  86400   IN      A       201.41.82.50
srv2.gutocarvalho.net.  86400   IN      A       201.41.82.51

;; Query time: 23 msec
;; SERVER: 201.41.82.51#53(201.41.82.51)
;; WHEN: Thu Oct  4 09:57:38 2007
;; MSG SIZE  rcvd: 120

Está tudo normal.

Eu não consigo alterar os servidores NS no sistema deles, dá um erro VBSCRIPT, o painel de controle deles é ASP,  isso já me deixou doido, não gosto nem de ASP, nem de VBscript, estou agora procedendo para transferir o domínio para outro local, talvez godaddy ou dreamhost, estou vendo, mas bighost/condomínio nunca mais.

[]’s
Guto

madeira, uso coerente ou extração sem controle?

quarta-feira, outubro 3rd, 2007

Estava em Sinop/MT visitando a casa de um amigo e me deparei com um caminhão carregado de grandes troncos de madeira, neste momento estava sem minha câmera, eis que saco o celular para tirar uma fotos da cena impressionante, árvores que provavelmente tem mais de 60 anos de vida, de acordo com o diâmetro de seu tronco.

Isto não é uma denúncia, está mais para a constatação de um problema, ontem alguns jornais mostraram que 90% de toda a extração de madeira no norte do País é ilegal, foram liberadas para extração 900 KM quadrados de floresta porém mais de 9000 KM quadrados foram explorados desde 2004.

Até quando vamos viver em desequilíbrio com a natureza? Sem ela não vamos sobreviver, é óbvio.

Mais uma vez o consumismo desenfreado, a globalização, o capitalismo agressivo, a busca incessante pelos lucros, a busca pela riqueza passam por cima da coerência, passam por cima da coexistência pacífica entre ser humano e natureza, desequilibrando uma balança sensível, que vai pesar mais para os seres humanos, pois a natureza se recupera, ela está ai a milhões de anos, mas nós não vamos aguentar, pode ser o fim de um raça, o fim de uma espécie, a qual se diz inteligente, a qual se diz racional.

É uma pena que não usemos essa inteligência, essa racionalidade para entender e coexistir em equilíbrio com o resto dos seres vivos e com a natureza.

Veja as fotos:

Imagem002.jpg
Imagem003.jpg
Imagem004.jpg
Imagem006.jpg
Imagem007.jpg
Imagem008.jpg

Tire suas conclusões.

[]’s
Guto Carvalho

mato grosso em chamas…

terça-feira, outubro 2nd, 2007

O estado do Mato Grosso está em chamas, indagou um passageiro na poltrona ao lado, tive de concordar, é inacreditável o descaso do ser humano com a natureza, as queimadas não param, todo mundo preocupado com pastos, gado, cana, soja, dinheiro e o meio-ambiente que se vire, ele que se recupere, não é?

Do jeito que está nossos filhos e netos vão ter que usar máscaras para sair de casa. Talvez nem enxerguem o sol e talvez vivam em um inverno causado pela falta de luz do sol.

É este o futuro que queremos para nós?

Veja os thumbnails, essas fotos foram tiradas da aeronave entre Sinop/MT e Cuiabá/MT, em 500 KM de viagem, eu não vi o Céu Azul em nenhum momento. E não é céu de de chuva é fumaça minha gente, muita fumaça.

DSC02605.JPG
DSC02606.JPG
DSC02607.JPG
DSC02608.JPG
DSC02609.JPG

Estava voando em um avião bimotor da TRIP linhas aeréas, o teto operacional dele é menor que um fokker 100 ou um Boeing 737-700, por isto não vencemos a espessa camada de fumaça.

(mais…)

festival kura, banda snorks no palco…

sábado, setembro 29th, 2007

A Banda Snorks também é de Cuiabá/MT, pelo visto ainda não tem site na internet. Eles estão no palco neste momento, e estão agradando o público, em seu repertório eles misturam hardrock e punkrock, receita interessante.

As fotos estão quase lá, mais um pouquinho eu coloco na galeria.

O telecentro está lotado, muita gente querendo usar, o site mais acessado para variar é o orkut, parece que o google realmente conseguiu cegar os internautas para o resto do conteúdo na internet, parece que essas pessoas não conhecem mais nada além desse site cretino, ele realmente me desagrada. Claro existe conteúdo interessante lá, mas são raras as pessoas que se interessam por esse conteúdo, o pessoal está mais a fim de bisbilhotar a vida dos outros.

Com overmundo, wikipedia, com toda a blogsfera, sites de notícias independentes, wiki e mais wikis sobre os mais variados assuntos, como que as pessoas só querem acessar o tal do orkut e e o ta do msn, é incrível, eu realmente acho que a internet está regredindo.

Enfim, vou esquecer disto e curtir o festival, mais um pouco e banda SNORKS….. :)

[]’s
Guto