Guto Carvalho # 2022-01-05 @ BSB
Guto Carvalho # 2022-01-05 @ BSB

Meus pensamentos sobre o manifesto tech

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Vejo que o pessoal nas redes tem debatido de forma intensa o manifesto tech, alguns defendendo, outros criticando, algo bem normal, como tudo na vida.

Acompanhando as redes, principalmente o twitter e telegram vejo que existe muita coisa interessante nos dois lados da conversa.

Quer saber o eu que penso sobre isso tudo?

Bora lá.


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Precisamos considerar o momento

O manifesto chega no mesmo momento que está dificil reter e contratar talentos, coincidência ou não.

E reforço sobre esse momento, empresas estão com muita dificuldade de contratar, principalmente profissionais experientes. Algumas estão entrando em desespero porque não tem equipe para entregar o que já foi vendido para o ano.

Empresas estão com muito dificuldade de reter os mais experientes, o assédio no linkedin e em outras redes sociais profissionais está acima do normal.

Em resumo, o mercado está aquecido, tem muita oferta dentro e fora do Brasil.

Precisamos entender os movimentos de fora

O mercado de fora está nadando de braçada por causa da cotação do dólar, estão levando times inteiros de uma vez só, e estou falando de grandes empresas perdendo seus profissionais, empresas que conseguem competir com salário acima da média do mercado.

As empresas de fora estão contratando profissionais com alta qualidade, alto desempenho e muita criatividade a custos baixíssimos para o mercado deles.

Do ponto de vista dos profissionais, basta se virar razoavelmente no inglês que as ofertas passam dos 20 mil reais por mês sem muito esforço.

O trabalho é geralmente como contractor (PJ) e a cultura focada na entrega, trabalhando remoto, no conforto de casa e não tem relógio de ponto.

Precisamos rever a cultura do mercado brazuca

O mercado interno continua com alguns problemas crônicos:

  • Cultura inadequada para contratar com requisitos irreais
  • Apesar dos requisitos irreais a remuneração não é atrativa
  • Contratar só seniors esquecendo de investir na base
  • Muito foco no relógio de ponto e pouco foco no valor agregado
  • Insistem em posições presenciais quando não é necessário
  • Só se sobe de carreira virando gestor
  • Cultura interna sem foco em pessoas
    • Isso afasta os mais jovens
    • Isso não retém os mais antigos

Precisamos respeitar as críticas ao manifesto

Vejo pessoas trazendo críticas justas de problemas que são crônicos e que já passaram da hora de serem resolvidos.

Vejo as pessoas desconfiadas com o momento trazendo questionamentos importantes, tais como:

  • porque só agora?
  • porque justamente no momento que empresas estão desesperadas?
  • porque justamente no momento que os talentos estão indo embora do BR?

Vejo pessoas apontando que o manifesto tem objetivo em resolver uma questão pontual do lado das empresas, esquecendo dos problemas das pessoas.

Precisamos respeitar os signatários

Esse movimento é muito importante e precisamos aceitar isso.

Vejo o movimento das empresas como algo positivo, eles estão se mexendo, tentando dar um norte para a TI do Brasil seguir, estão tentando se adequar e isso é importante, não dava mais para ficar inerte e ver a mão de obra desaparecer ou fingir que a cultura deles ainda funciona.

Obviamente a mudança dentro das empresas é mais lenta, complicada e nem sempre muda como precisa, mas já ganham pontos por tentarem.

Meus pensamentos sobre investir na base

Acho fundamental desde que realmente formem as pessoas.

As vagas para JR hoje tem requisitos insanos, isso tem que mudar, JR a gente pega para ensinar, isso tem que ficar claro e ser o novo normal.

A cultura precisa mudar, não só a postura, ao que me parece estão tomando uma nova postura em relação a contratar e formar pessoas.

Como disse um amigo, eles querem plantar JRs para colherem SRs.

Mas será que vai funcionar, IMHO?

Estamos vivendo um momento único, muito peculiar, e todos estão tentando se adaptar a ele, empresas e pessoas.

Se mudarem de postura sem mudar de cultura, eles estarão capacitando pessoas para perder daqui a dois ou três anos para as mesmas empresas de fora.

Agora, se mudarem de cultura e criarem condições para que as pessoas fiquem, proporcionando crescimento de carreira, desafios reais e concretos, oportunidades de capacitação e uma remenuração adequada, eu realmente acho que pode funcionar.

As mudanças na cultura também passam por mudanças de comportamento dentro da empresa, em especial com seus times. Hoje todos querem trabalhar em um ambiente seguro, livre de assédio, tendo respeito e empatia como cernes da relação, além de bons incentivos e benefícios.

Se a empresa não consegue oferecer isso, de nada adianta assinar o manifesto.

O que poderia ser diferente, IMHO?

Acho que os valores humanos deveriam estar mais evidenciados e fazer parte do TOP 3 ou criar um TOP 5 deixando claro que o objetivo é criar uma cultura centrada em pessoas para que assim a empresa alcance seus objetivos e para que as pessoas cresçam junto com a empresa, ficando por lá por muitos anos.

Não existem empresas sem pessoas, não se atinge metas sem pessoas, não se entrega valor sem pessoas, então, acho que já é hora de assumir isso.

As necessidades da empresa tem que estar em equilibrio com as necessidades das pessoas que trabalham nela.

Como ir além e tentar surtir mais efeito?

Acho que faltou endereçar os problemas culturais crônicos – brazucas – no manifesto, assumindo claramente que precisamos evoluir juntos, empresas e pessoas.

Acho que faltou dar o recado de que cultura tóxica – que ainda existe em muitas empresas – tem que ser condenada e extinta.

Acho que faltou deixar claro que pessoas são o foco nessa mudança de postura e de cultura das empresas Brazucas signatárias. O foco nos jovens é sensacional, mas temos que ir além.

Acho que manifesto poderia ser mais amplo e incluir plenos, seniors e especialistas, afinal eles não são inimigos. Acredito que no momento eles não estão encontrando as condições adequadas para se manter no mercado Brazuca e somente isso, nem todos querem ser gestores para terem uma melhor remuneração, nem todos querem trabalhar para fora para serem valorizados, mas no fim foi o que conseguiram. Apesar de tudo, acho que com um pouco de esforço dá para acomodar todo mundo, basta cada um ceder um pouco, empresas e pessoas.

Amarrando as pontas

Esses foram meus 50 cents na discussão, que continuem falando disso e que novas versões deste manifesto sejam lançadas conforme a percpeção de pessoas e empresas evoluem – de preferência o façam juntos.

Alguns posts que podem dar umas ideias sobre cultura de TI em 2022.

[s]
Guto


Este post é do tipo #FalaGutera, entenda aqui.

Se gostou manda um alo no twitter @gutocarvalho.

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